
Na minha juventude
andei a escrever alguns versos
e pensei
por algum tempo ser poeta.
E assim vivi um bom tempo de meu tempo
pensando ser poeta.
Hoje,
das poesias que ousei colocar no papel
nenhuma delas vingou,
perderam-se.
Simplesmente perderam-se
adormecidas nos papéis que se perderam pelo tempo
e nas coisas.
Mas, melhor dizendo, nem todas elas se foram... uma delas ficou.
Para surpresa minha,
uma delas sobreviveu a tudo e ficou.
Ficou escondida dentro de uma pasta encardida
encontrada hoje ( tanto tempo depois),
num dia comum de faxina.
Foi encontrada, abafada debaixo de tantos outros papéis
que esperam o tempo de se perderem também,
esquecidos no fundo de uma estante
que me acompanha por onde vou.
Voltei no tempo, sem melancolia nem dor,
apenas voltei no tempo, por um momento apenas,
E viajei, solitário.
Um dia pus-me a sonhar com filhos.
Eu que ainda era solteiro e não havia encontrado ainda
quem sonhasse como eu... uma família.
Ousei sonhar com filhos!
Então escrevi algo para eles, para os filhos que um dia sonhei ter ( e que hoje tenho).
Sim, duas filhas maravilhosas e, mais que isto, duas filhas, servas de Deus.
Eu sonhei com elas uma vida inteira
e por isso
Deus me concedeu esta Graça. Minhas duas filhas.
Mas, veja bem,
Deus sempre vai além daquilo que sonhamos
e por isso,
Ele me concedeu bem mais, Ele foi além.
Hoje, eu que sonhei com filhos, estou esperando... um neto.
Estamos em casa todos grávidos de um neto que se chama Arthur.
Olhando agora para este papel onde reecontrei meu poema,
penso que seria de bom tom
ser para ele este poema
que um dia escrevi para minhas filhas Aline e Alessandra que,
na minha juventude,
sonhei ter
e que hoje tenho.
Sou feliz, eu sou muito feliz!
"A QUEM CHEGAR AMANHÃ UM HINO CANTADO NO MEIO DE TUDO COSTAS CALEJADAS DE CARREGAR OS DIASINFINITAMENTE NOITES E PESADOS A VIDA OFERECIDA A TINTA DESENHANDO A ÉPOCA NA CARNE NOSSOS ANOS DE VIDA NA CARNEA QUEM CHEGAR AMANHÃUM COLO CHEIO DE AVENTURAS INACABADAS." Do Vovô Arnolfo
Neste mês de junho de 2011.